15 março, 2017

2 Livros: Não Atravesso a Rua Sozinho + Te Pego na Saída (Fabrício Carpinejar)

Conhecia Fabrício Carpinejar das entrevistas que via da televisão, de suas aparições no Encontro com Fátima Bernardes, da galera sempre me recomendava seus escritos e também de alguns textos soltos que achei pela internet. Sua prosa é bastante fluida e interessante; como fã de crônicas não poderia deixar passar a oportunidade de ler um de seus livros sobre memórias da infância. Já há tempos recomendado no canal da Tati Feltrin, acabei adquirindo dois livros da coleção Vida em Pedaços, publicados pela Editora Edelbra.


Em Não Atravesso a Rua Sozinho, há cerca de 25 crônicas sobre a infância e adolescência de Carpinejar e o leitor consegue conhecê-lo muito bem em praticamente todas as suas formas. Me identifiquei bastante com ele em diversos aspectos e pude reconhecer algumas coisas que meus pais contavam sobre suas infâncias. Carpinejar é gaúcho e portanto muito do sotaque regional pode ser notado através dos pequenos diálogos presentes no texto. Este texto, aliás, é bastante divertido, fluido (como já dito anteriormente) e engraçado. Várias passagens sobre a vida do autor, que era tão desajeitado quanto eu, me fizeram sentir uma saudade boa da infância. O livro é repleto, aliás, de ilustrações maravilhosas acompanhadas de um tom alaranjado.

Logo na primeira crônica, introdutória, conhecemos um pouco sobre a mente criativa de Carpinejar e a partir daí já podemos suspeitar de certas coisas que estão por vir. Nesta crônica intitulada Pré Histórico o leitor fica sabendo que ele não era muito adepto das tecnologias e que acha sua infância muito antiga tanto por estar escrevendo o livro depois de muito tempo, quanto por ela ter sido a mais "analógica" possível. E pode-se ler e deliciar-se com situações verdadeiras repletas da leveza infantil misturada às incríveis descobertas feitas nesta fase, além é claro de uma infância regada à brincadeiras e histórias pra dormir.

Uma das mais curiosas na minha opinião é quando o autor conta sobre o primeiro dia de aula de seu irmão mais novo, o qual a mãe incumbiu da tarefa de cuidar na escola para que ele não se perdesse ou fosse abusado. Aliás, as partes com seus irmãos são pontos altos na narrativa. Ele confiava muito no irmão mais velho, que até tentou engana-lo sobre cavar um buraco e chegar ao Japão; e seu irmão mais novo era mais esperto que ele na escola. 

Essa obra é recomendada tanto para quem gosta e lê crônicas com frequência, quanto pra quem não curte ou não dá chances pra esse gênero literário. É um livro com relatos divertidos de situações que poderiam acontecer com qualquer tipo de pessoa, a qualquer momento dos primeiros anos de vida.



Já em Te Pego na Saída (lido na sequência e até mais rápido que o primeiro), Carpinejar volta a contar ao leitor, em crônicas divertidíssimas, sobre suas aventuras da infância. Desta vez conhece-se um pouco mais sobre seus cachorros, suas festas, seu jeito de se portar na escola, além de contar muito mais sobre sua família e seus hobbies.

É quase impossível não associar o título da obra a uma música da cantora baiana Pitty chamada "Emboscada" (do seu primeiro álbum) onde ela diz "Te Pego na Saída e vamo vê quem vai ficar". Confesso que o trecho em questão tem muito a ver com a crônica que também carrega o título do livro e fala sobre como uma pequena palavra leva a algo grandioso. Carpinejar não queria causar confusão, mas se eu te disser que depois de tanta expectativa em poucos parágrafos tudo vai por outros caminhos? Sim e ficou sensacional!

Na infância, o autor conta sobre o quanto gostava de jogar futebol e o quanto não gostava de sua aparência franzina, além de suas maluquices e outras "imperfeições" para sua idade. Os kichutes, calçados populares entre a garotada da época (a propósito, assistam ao filme Meninos de Kichute, ele se passa aqui em Londrina-PR) são lembrados pelas memórias e crônicas aqui apresentadas. As ilustrações continuam lindas e desta vez a cor predominante nelas é o azul, que também dá o tom à capa do livro. Minha crônica favorita foi O que ele sussurrou no ouvido?, mostrando que o autor gosta de seus irmãos, sobretudo o mais novo que era diferente de todo mundo da família. Ele também narrou uma historinha sobre o quão valiosa era sua mãe e o quanto ela conseguia fazer em curtos períodos; também foi interessantíssimo saber sobre Lelê, o pano encardido que o fazia dormir, de certa forma ou Xodó que assistia Moby Dick com seu dono.

Carpinejar usa e abusa das palavras, faz jogos textuais e diverte o leitor; uma das principais funções de autor com seu livro. Facilmente, lendo o texto deste autor incrível podemos rir, chorar, lembrar e favoritar. As aventuras na banheira que causou briga e os feriados e aniversários são algumas das coisas que podemos encontrar neste volume da coleção Vida em Pedaços. Acho que estou me identificando cada vez mais com ele.

Avaliação:




17 comentários

  1. leio muitos elogios a escrita do autor, mas ainda não li nada dele, apesar de morrer de vontade
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Olá,

    Confesso que não conhecia o autor e não sou fã de livros com várias histórias, que é o caso dessa obra com as crônicas. Mas vou ser sincero, acabei me interessando pelas obras e acabei adicionando na lista de desejados, adorei sua resenha! ♥

    → desencaixados.com

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  3. Que postagem mais rica ensina, sou apaixonada por esse homem ahauhauaahua ele sempre me encanta em suas postagens e fico feliz de encontrar assim no seu blog, sua indicação me fez ficar apaixonada! Pretendo comprar.
    Beijinhos

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  4. Olá,

    Nunca li nada de fato do autor, sempre vejo trechos de suas obras pelo tumblr, e algumas me chamam bastante atenção. No entanto, eu nunca li nenhuma crônica completa. Não é um estilo que leio com frequência, mas como tenho uma certa curiosidade sobre as obras do autor, eu poderia vir a ler com certeza.

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com.br

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  5. Já ouvi falar do autor mas até hoje não consegui ler nenhuma obra dele, exceto alguns trechos que via circulando pelas redes sociais e com certeza eu leria Não Atravesse a Rua Sozinho. Toda essa questão do personagem não gostar de tecnologia me chamou muita atenção. Vou adicionar a lista.

    beijinhos!

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  6. Oi, Matheus
    Amo Carpinejar e não conhecia esses livros. Simplesmente adorei conhecer. A gente se identifica com muitas coisas que ele escreve, né? Realmente ele usa e abusa das palavras e nos fisga completamente.

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  7. Olá,
    Confesso que não tenho muito o hábito de fazer leituras de livros que nos tragam crônicas, porém fiquei bem intrigada com ambos que apresentou aqui pelo fato de serem nacionais e a partir delas, que são bem divertidas, conhecer cada nuance do autor e assim nos identificarmos com ele.
    Dicas anotadas e adorei a resenha dupla!

    LEITURA DESCONTROLADA

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  8. Olá! Sempre ouvi elogios ao Carpinejar e gostei do que li dele. Ainda não vi estes livros que você indicou, vou guardar as dicas! Obrigada!!!

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  9. Oi, Matheus.
    Achei bem legal essa sua resenha dupla.
    Já tentei ler livros do autor, mas a escrita dele não me cativa. Mesmo assim fico feliz de ver os livros provocaram tantas emoções em você!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  10. Olá, tudo bem? Apesar do nome não me soar estranho, confesso que não lembro muito dele hehehe Nossa pelo que eu vi, são dois livros de crônicas. Não sou muito de realizar esse tipo de leitura, mas o modo que você fez as resenhas me cativou. Dica anotada. Também espero gostar bastante dele.
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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  11. Olá, eu já li um livro de crônicas sobre o amor desse autor e fiquei encantada pela escrita dele. Ainda não conhecia esses dois livros, mas com certeza gostaria de lê-los, pois amo crônicas que tem a infância como tema.

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  12. Olá, tudo bem?

    Confesso que esse gênero me é difícil, não consigo curtir muito. Mesmo você dizendo que indica até para quem não dá chances para esse estilo, não sei se encararia... rs Quem sabe no futuro. Mas adorei a forma com que você apresentou o livro, e se estou ponderando qualquer possibilidade, foi pela forma com que me fez olhar para ele.

    Beijo!

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  13. Matheus, tudo bem?

    Que resenha mais bacana!

    Adoro livros de contos, crônicas... E o Carpinejar tem o dom de escrever textos curtos e cheios de conteúdo e emoção. Você já leu as obras que ele escreveu com os filhos? São livros maravilhosos também.

    Beijo

    Leitoras Inquietas

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    Respostas
    1. esse dos filhos não conheço, mas vou procurar e tenho certeza que irei gostar haha :)

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  14. Oii, tudo bem?
    Ainda não li nenhum livro do Carpinejar, mas ouço muita gente falando muito bem. Eu gostei bastante da premissa dele na resenha e se eu tiver a oportunidade certamente lerei.
    Amei o post, parabéns pelo blog maravilhoso.
    Abraços Mary

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  15. Oi,
    Eu não sou muito fã desse gênero, mas fiquei encantada da forma que você fez a resenha e fiquei curiosa para conhecer.
    Parabéns pela dica e já anotei
    Beijos
    Daya

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  16. Pier, já conheço o autor e sempre vejo.elogios a sua escrita, ainda não.li estes mas espero ler em breve!

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