20 dezembro, 2017

Quoteando Mulher com Brânquias

"Quando olhava em volta, eu não via ninguém igual a mim. Era eu, então, um monstro, uma nódoa sobre a Terra, de quem todos fugiam e a quem todos renegavam?" Mary Shelley. Frankenstein

Quero compartilhar com vocês mais uma alegria que vivenciei em minhas pesquisas "explorando" novos autores nacionais. Fico feliz que 2017 tenha me apresentado vários, e para abrilhantar mais esses encontros no universo literário, eis que surge, por meio do serviço Kindle Unlimited da Amazon, a escritora Patrícia Baikal.

De tanto encontrar indicações sobre o livro e ser pega pela curiosidade diante do título, senti-me impulsionada por ler Mulher com Brânquias. Ainda bem que me dei a chance em conhecer a narrativa e o que mais havia por trás de uma construção que prometia ser bem interessante. Além do estado de admiração pela sua inspiração, descobri, exatamente nesse momento em que escrevo, a surpresa de que Baikal publica suas obras de forma independente. Por que o espanto? Obviamente por constatar seu talento, encontrar seus livros disponibilizados pelo Unlimited e me questionar sobre o que ainda falta para que seu trabalho seja reconhecido pelas muitas Editoras nacionais. Bem, desejo desde já à autora novos e vários olhares de leitores, blogs e principalmente das Editoras, e que obviamente esse olhar fixe em observá-la profundamente de perto, muito mais do que enxergá-la de longe.


A trama é de suspense/mistério, escrita de forma inédita sobre o assunto relatado. Cheia de incógnitas até às últimas páginas, ela apresenta as questões existenciais da professora universitária Rita, que em um dia de aula de repente se sente dentro de um grande aquário, com bolhas de ar e assustadoramente a presença de um imenso peixe, que a visitará a partir desse momento, deixando-a envolta de interrogações e receios sobre seu estado mental... Como desabafar o que só ela pode enxergar e sentir em seu corpo? Mesmo frequentando por anos consultórios de psiquiatria, buscando respostas sobre separações, angústias e dúvidas de sua infância, que resultaram em medos, afastamento familiares e sentimentos contidos, surge mais esta questão que ela tentará não só compreender, mas também aniquilar de seu corpo e seus dias. O que venha a ser isso? Frutos de sua imaginação ou uma verdade deletada para que o sofrimento fosse amenizado?

De sua cidade natal, chega a infeliz notícia sobre o falecimento de um ente querido e Rita, sem ter como fugir, vai de encontro às suas origens, pegando a estrada que a surpreenderá com lembranças do passado, reencontros diversos e entendimento sobre o mistério que a tem visitado, tentando abrir uma porta a muito esquecida, fechando nos porões emocionais partes de seu quebra-cabeça....

Deixo aqui a dica e alguns quotes que separei dessa obra tão completa registrada em apenas 186 páginas. Desejo que os ensinamentos e reflexões de Baikal fale com todos assim como foi comigo, deixando marcantes impressões nas invisíveis bolhas de ar e no frescor das águas de um aquário que borbulham em minhas emoções.

Aprendi que é melhor o silêncio desesperador do que palavras sem sentido.
Há mais de nossas famílias em cada um de nós do que imaginamos.
A gente vai engolindo tanta pedra, terra e mato que uma hora o corpo para de funcionar. E só depois de colocar tudo para fora é que voltamos a respirar aos poucos, tossindo poeira e resistindo aos destroços que restaram.
As casas pequenas e antigas que deveriam ter sido tombadas continuavam ruindo com o tempo. Devia haver tombamento de gente também. Gente que não pode mudar. Gente que não pode morrer. Gente que deveria se manter em pé para sempre.
Queria ser assim, de memória curta, capaz de sarar a tristeza com um pratinho de bolo.
Quem afinal gostaria de ser só corpo, sendo vivo neste mundo? Até os suicidas precisam de vida para que possam abrir mão dela.
De toda forma, a morte sempre existirá porque ninguém está a salvo das mudanças, sejam físicas ou psíquicas, matando um pouco do que se era para ser algo novo.
Todo ser humano deveria ser obrigado a fazer registros honestos sobre os momentos mais significativos da sua vida e devia entregá-los de tempos em tempos em cartório, para serem guardados como os documentos de nascimento e de óbito. Acho que a humanidade deveria se importar mais em registrar a história do homem individual e não apenas da coletividade. Quem sabe se tivéssemos os diários de todos os santos o mundo podia ser melhor.
O medo da morte se parece tanto com a própria morte que pode inclusive matar.
Quando a vida te cortar um pedaço, pense que ela apenas está te moldando para fazer parte de um grande mosaico.

Um comentário

  1. Ah... Parece ser bem interessante. Esse dá pra eu ler rápido. RS

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