05 janeiro, 2018

Resenha: 32 Cartas

"Tem horas que a única coisa que posso fazer por mim é escrever."
Bartolomeu Campos de Queirós
Autor:  Aguinaldo Tadeu
Editora: 7 Letras
Páginas: 132


Sabe aquela tarde livre em que é necessário buscar um momento para arejar os pensamentos, puxar o freio das emoções e relaxar em uma poltrona, ou melhor, se jogar numa rede? Penso que bom mesmo é largar de mão compromissos, preocupações, densidades e nós mentais e se apegar somente a uma leitura divertida e poética em textos leves, porém bem ajustado de imaginações, reflexões sem o gosto de autoajuda e uma escrita cômica na dose certa para uma gargalhada solta. Pois bem, estou falando do livro contos: 32 Cartas, do autor mineiro Aguinaldo Tadeu, que tem o dom de se fazer presente em nossa varanda, contando histórias rotineiras, que poderiam ser triviais, se não fosse pela imaginação e fala ao escrever.

Que histórias são essas? Aquelas que se repetem diariamente, mas, só vamos nos atentar que também estamos nesse universo quando lemos pelo olhar do escritor, que lança seu anzol observatório em nossa direção, direcionando e nos levando às idiossincrasias surpreendentes dos hábitos, simplicidades e convívio social. Esses momentos fazem parte das conversas de botequim, da divergência política, do amor através do tempo, das prosas na janela ou fofocas nas esquinas e calçadas da vizinhança. Das visitas que deveriam ser frequentes aos avós, dos aprendizados que recebemos de nossos cãezinhos e gatinhos e até mesmo na rotina pesada e satisfatória dos professores.

Essas citações fazem parte de alguns contos que me proporcionaram uma leitura bem humorada e significativa. Caso queiram ir diretamente a eles, aqui estão os títulos: Poltrona 27, Valente, Sessão das Cinco, Demitido, De Professor, A Mulher que Caminhava, O Menino que Gostava de Ler, O Gato, Flosina, a Fofoqueira e Tome Cuidado. Tenham em mente que as narrações são com palavras e forma de se expressar simples, porém, fluentes, com monólogos e diálogos curtos, sem deixar a desejar, afinal, o principal para mim não faltou, que é realidade e emoção. A única parte que não apreciei se encontra em alguns términos, pois o autor faz uso de finalizações em aberto, tipo inesperado. Eu como leitora, sinto como se algo estivesse faltando. Na verdade, por me sentir tão conectada às suas ideias, ao final, senti-me órfã por esta forma de escrever. Contudo, avalio esta obra como boa e deixo a dica para que não deixe passar a oportunidade, caso queira conhecer diversos temas peculiares em apenas 132 páginas.
Avaliação:


O Autor



AGUINALDO TADEU nasceu em Belo Horizonte e já morou em Conselheiro Lafaiete, Congonhas, Carmópolis de Minas, Teresina, São Luís do Maranhão e, atualmente, anda meio perdido pelas tesourinhas de Brasília. É autor dos livros de poesias: De Mineiro e louco, com mais um pouco (2006) e Enquanto eles jogam bombas (2009). Pela editora Giostri, é autor do livro de contos O dono do rádio (2011), vencedor da Bolsa de Criação Literária da Funarte, do romance Desafinados no coro dos contentes (2014) e do livro infantil A voz dourada das cidades (2017). Tem crônicas e poesias publicadas em jornais, revistas e antologias. Gosta de livros, música, futebol, xadrez e viagens, tanto de olhos abertos quanto fechados. Gosta da poesia dos passarinhos, do encanto das flores e da maluquice dos loucos de todo o gênero que encontra pelas ruas. Gosta de contar e ouvir casos, os reais e os imaginários, tomando café de rapadura à beira de um fogão à lenha. Acredita nas coisas mais simples da vida. Vive com a cabeça nas nuvens.


Um comentário

  1. muito interessante, eu curtiria lê-lo!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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