26 janeiro, 2018

Resenha O Conto da Aia

Editora: Rocco
Autora: Margaret Atwood
Publicado em 1985, mas com um enredo atemporal, o livro que foi relançado no Brasil em 2006, vem chamando a atenção dos leitores atualmente por conta de sua incrível adaptação em formato de série(o livro já foi adaptado anteriormente com o título A Decadência de uma Espécie mas não teve tanto sucesso).

É assustador pensar que não há nada utópico nesse enredo....que no mundo violento e intolerante que vivemos hoje é perfeitamente possível que tamanha tragédia aconteça....me refiro aqui não somente as situações vivenciadas pelas mulheres, porque já vemos isso acontecendo em algumas regiões. Me refiro também ao modo como todo o caos foi gerado(é tiro, porrada e bomba; é descontrole, violência e intolerância; é fome, miséria e desigualdade; crise política, econômica e totalitarismo)...conseguiu conectar esses termos com a nossa realidade atual?

A parte onde a protagonista  (que não sei o nome porque em nenhum momento da narrativa seu nome verdadeiro é citado) conta como as coisas aconteceram e como as mulheres foram destituídas de seus direitos e tiveram todas as coisas confiscadas  é chocante, inacreditável, atordoante, desprezível, injusto, incerto, inaceitável,..não consigo encontrar uma palavra apenas pra definir a sensação e o sentimento que me ocorreu quando li a passagem.


A história é essa: a sociedade não é mais organizada da maneira como conhecemos, nela os homens detém todo poder e as mulheres perderam tudo, absolutamente tudo. Por conta de inúmeros danos causados ao meio ambiente, radiação, DSTs, os seres humanos também foram atingidos, e eram poucas as mulheres que conseguiam levar uma gravidez adiante.
Então a sociedade foi dividida da seguinte forma: o Comandante(o todo poderoso), a Esposa do Comandante(em sua maioria não engravidavam), as Marthas(aquelas que cuidavam dos afazeres domésticos), a Aia(aquela cujo único objetivo era parir, a reprodutora), as Tias( doutrinadoras), o Olho(sempre oculto, vigiando).
As mulheres férteis eram levadas para serem doutrinada pelas Tias, era quase uma lavagem cerebral, onde elas aprendiam todo o funcionamento de um ritual que antecede o estupro, tudo pra um mundo melhor...(dorme com esse barulho,vontade de vomitar em determinadas cenas).

Todos eram identificados com um uniforme. O comandante sempre com seus ternos bem alinhados, as Esposas, as Aias, as Marthas, as Tias e os Guardiões, cada um tinha uma roupa e uma cor que os identificava perante a sociedade, apenas o Olho não podia ser identificado, então estavam sempre misturados no meio do povo, à paisana.
Como eu falei lá em cima, o nome verdadeiro das aias não são revelados, elas são identificadas com Of+(nome do Comandante da casa a que ela foi destinada). No caso nossa protagonista é a Offred: Of+Fred, ou seja, do Fred, pertencente a Fred...sentiram o clima da coisa?!



Talvez as coisas aqui tenham ficado um tanto confusa pra vocês, mas tentei trazer o mínimo sobre a história em si, pra que vocês sintam o mesmo choque que eu ;)

O conto da aia é uma história pesada, intensa e angustiante, com cenas que dá vontade de gritar"para que eu quero descer", eu podia ter gritado, eu podia ter pausado, mas a curiosidade me venceu, e mesmo diante de tantas passagens assustadoras eu fui em diante. 

Se você assistiu a série, e não quer ler o livro, eu te aconselho a ler sim. Na série temos alguns acréscimos e uma visão mais ampla; já o livro é narrado em primeira pessoa, pela Offred, e ela nos insere em seu mundo trazendo muita realidade. Na minha opinião, livro e série se completam.

Margaret Atwood consegue nos levar a reflexão sobre vários assuntos: radicalismo extremo, política, religião, feminismo, direitos, enfim, uma distopia(a autora diz que não)intimidadora e inteligentemente construída.
Acredito que a maioria já fez essa leitura, mas se você ainda não fez, tá esperando o que? Deixa seu comentário aqui em embaixo, fecha esse computador e vai ler, depois me procura nas redes sociais pra gente trocar figurinha sobre as cenas mais bizarras.

Avaliação


A Autora

Margaret Atwood é uma escritora canadense: romancista, poetisa, ensaísta e contista, foi galardoada com inúmeros prêmios literários internacionais importantes (Arthur C. Clarke Award, Prince of Asturias, Booker Prize). Recebeu a Ordem do Canadá, a mais alta distinção em seu país além de ter sido indicada várias vezes para o Booker Prize - tendo o ganhado no ano 2000 com o romance O Assassino Cego (The Blind Assassin, 2000). Outros romances de sua autoria são Olho de Gato (Cat's Eye, 1988) e Oryx & Crake (2003). Sua obra é conhecida por mesclar uma fina veia irônica e lúdica com uma aguçada perspicácia para questões contemporâneas - como as relações de gênero e o meio ambiente.



Um comentário

  1. eu ainda não tinha ouvido falar de o conto da aia, mas a trama parece ser tão forte que me deu uma certa curiosidades
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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