16 abril, 2018

Destaques Especiais de Tartarugas Até Lá Embaixo

O ser humano é tão dependente da linguagem que, até certo ponto, não conseguimos entender o que não podemos nomear... Usamos termos genéricos, como maluco ou dor crônica, termos que ao mesmo tempo marginalizam e minimizam. Dor crônica não exprime a dor inescapável, persistente, constante, opressiva. E o termo maluco chega até nós sem nem um pingo do terror e da preocupação que dominam você. E nenhum dos dois transmite a coragem das pessoas que enfrentam esse tipo de dor, e é por isso que eu encorajaria você a enquadrar sua condição mental numa palavra que não maluca.


Quem diria... Li o último livro de John Green! Será que fiz as pazes com suas histórias? Talvez... Não sei! Mas, posso afirmar com real convicção que não fiquei no raso com nariz torcido durante a leitura, fiquei e continuo totalmente submersa e nadando na pesada história de Aza, escrita de uma forma tão sensível que senti conforto nos sonoros textos, de tão gritantes, dessa incrível protagonista.
"Eu estava começando a entender que a vida é uma história que contam sobre nós, não uma história que escolhemos contar."
Aza é a narradora de sua história, apresentando incompreensão sobre si mesma e o que venha a ser sua fragilidade mental, totalmente visceral. Além do espiral emocional, tão dito por ela, conhecemos também a mãe superprotetora, Davis (amigo de infância e que o pai está desaparecido) e por último Daisy, a melhor amiga que é escritora de Fanfics, fã de Star Wars, e, em minha opinião, a melhor personagem secundária! Aliás, todos os personagens nada têm de ficcionais, mas Daisy supera! É extremamente verborrágica, inteligente, hilária, com frases filosóficas impregnadas de ironias e ações loucas e necessárias para sacudir Aza de seus desligamentos interiores.
"O mais apavorante não é girar sem parar numa espiral crescente, é girar sem parar na espiral que se afunila."
Apesar das vidas e mistérios que rolam na trama, o fundamental foi expor de forma natural e bem explicativa o que é a vida e as ideias de alguém que convive com TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), e Green construiu muito bem toda a existência de Aza, porque escreveu sobre si mesmo. Quando nossas mentes e mãos escritoras expõem 50% ou mais sobre nós mesmos, pode ter a certeza que o resultado final será uma das melhores gestações, e por isso Tartarugas Até Lá Embaixo, é profundo, excelente, significativo, tendo ricas reflexões, receios e vida que respira entre suas páginas.
"Um dos desafios da dor, seja física ou psíquica, é que só podemos nos aproximar delas através de metáforas. Não temos como representá-las como fazemos com uma mesa ou um copo. De certo modo, a dor é o oposto da linguagem."
Outros pontos maravilhosos foram às diversas referências literárias. Ahh e não para por aí! Há Arte, música e ainda tem um réptil exótico com explicações biológicas riquíssimas! Quem me conhece de ler, sabe que aprecio dicas compartilhadas em livros e as vejo como fonte inesgotável de crescimento.
“Posso resumir em três palavras tudo o que aprendi sobre a vida: a vida continua.” Robert Frost
Enfim, para quem ainda não leu, deixo esse espiral especial que se tornou mais um livro favorito em minhas leituras.
A gente acha que é pintor, mas é a tela.
Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.
O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha senão senti-lo.
A questão é que, quando a gente perde alguém, a gente se dá conta de que no fim vai perder todo mundo.
Cada ser é uma pluralidade, mas pluralidades também podem se integrar.
Estar vulnerável é pedir para ser usado.
A loucura, na minha experiência assumidamente limitada, não vem acompanhada de superpoderes.
Os adultos pensam que sabem controlar o poder, mas na realidade é o poder que acaba controlando os adultos.
Toda perda é única. Não dá para saber como é a dor de outra pessoa.
Pensamentos são só um tipo de bactéria, nos colonizando.
Pensamentos não são ações.
Quem dera eu conseguisse ficar fora de mim. Minha mente é uma prisão.
No fundo ninguém entende o que se passa com o outro. Está todo mundo preso dentro de si mesmo.
A gente nunca encontra respostas, apenas perguntas novas e mais interessantes.
Estar vivo é sentir saudade.
Essa é a narrativa esperada quando se trata de doenças: um obstáculo que você superou, uma batalha que venceu. Doença é uma história contada no pretérito.


Um comentário

  1. Estou lendo esse livro agora, ainda estou nas primeiras páginas, mas já me conquistou!

    melhor quote
    O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha senão senti-lo.

    www.ooutroladodaraposa.com.br

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