09 abril, 2018

Quoteando A Guardiã de Histórias


__ Meu irmão deixou um buraco que está começando a fechar. E quando isso acontecer, ele terá partido. Partido de maneira real e verdadeira.
__ Se você quer dizer pequenas coisas, como o som exato da voz dele, o tom do cabelo, então tudo bem, está certo. Você vai esquecer. Mas Ben não é essas coisas, sabe? Ele é seu irmão. É feito de cada momento da vida dele. Você nunca vai se esquecer de tudo isso.

A morte é um grande mistério e disso já sabemos, mas, nem todos possuem a mesma interrogação sobre esse assunto. Minha maior curiosidade está ligada ao que lemos, aprendemos, vivenciamos. Tudo será perdido?

O livro A Guardiã de Histórias, de Victoria Schwab, aguçou e alimentou minha interrogação, por isso compartilho uma breve reflexão e algumas citações belíssimas dessa obra.

Como seria se nossa história ficasse à disposição sempre, após a passagem? Não estou falando de fotos, caligrafias em diário, recados e toques. Estou falando de um Arquivo repleto de sensações diversas e heranças mais significativas do que valores financeiros deixados no outro lado.
"Todas as vezes que eu tocava alguma coisa, em alguém, pensava: isso vai ficar registrado. Minha vida vai virar um registro de todos os momentos. Ela pode ser fragmentada dessa maneira. Eu apreciava a lógica daquilo, a certeza."
Nesse ambiente com ares de biblioteca, zelado por bibliotecários e demais funcionários, seríamos Histórias para nossos laços de comunhão que ficaram para trás. Eles poderiam nos visitar sempre para continuar a aliança, lendo-nos em páginas densas de calhamaços dispostos em prateleiras que nos preservam da poeira e do esquecimento. Quantas aventuras, lágrimas, sorrisos, amores, decepções, lutas e derrotas. Derrotas? Sim. Porque nada é em vão.

Esta ideia poderia fugir das páginas de Schwab e se tornar real, não é? Quem não gostaria de continuar existindo dentro do que já foi citado e mais? Eu quero com certeza! Quero ser lembrada pelo que julgo ser imprescindível, marcando de forma inesquecível pessoas que me conhecem de longe e perto. Estou falando da minha e da sua Essência. Legítima, autêntica e irrevogável dentro dos livros-seres que somos.

Mas, que não nos percamos em páginas rasgadas pela vida, por meio de escolhas feitas antes da despedida...
Não somos nada além de momentos registrados. 
A única maneira de realmente registrar uma pessoa não é em palavras, não em retratos fixos, mas em pele, ossos e memórias.
Conhecimento é poder, mas a ignorância pode ser uma benção.
Se eu tivesse escolha, iria preferir a viver com o que aprendi.
Deixamos lembranças nas coisas que amamos e guardamos, coisas que usamos a ponto de as deixarmos gastas.
Nem todas as lembranças valem ser guardadas.
A ignorância pode ser uma benção, mas só se superar a curiosidade.
O medo nos mantém vivos.
Todas as coisas são valiosas à sua própria maneira.
Sempre achei que o papel era uma via de mão única, um lugar de anúncios, não de diálogo.
A curiosidade é uma droga de passagem para a simpatia. Simpatia leva à hesitação.
Verdades parciais são muito mais confusas do que mentiras completas.
As coisas doem ainda mais quando as vemos.
As pessoas são feitas de ruídos, Mac. O mundo é cheio deles. E encontrar o silêncio não é uma questão de empurrar tudo para fora. Apenas de se colocar para dentro. Só isso.
Não é estranho? É como se, depois de eles morrerem, a gente só conseguisse lembrar das coisas boas. Mas ninguém é só coisas boas.
Os mortos são silenciosos, e os objetos, quando guardam impressões, nada dizem até que os toquemos.



Um comentário

  1. os trechos são legais pra ajudar a ir descobrindo mais da história em si, ir conhecendo e instigando
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Não deixe de comentar,a sua opinião é muito importante. Agradeço a sua visita.


Leituras da Paty - 2015. Todos os direitos reservados.
Tecnologia do Blogger.
Miss Mavith - Design with ♥