18 maio, 2018

Resenha O Homem de Giz

Nem sempre o que nos molda são as nossas realizações, e sim as nossas omissões.
Autora: C.J.Tudor
Editora: Intrínseca
Páginas: 272

O Homem de Giz apresenta a intrigante trama ocorrida em 1986 na bucólica cidade Anderbury, envolvendo cinco adolescentes que após um encontro no conhecido bosque, marcado misteriosamente por algum conhecedor de seus códigos de comunicação. Estando ali, observam outros indícios de homens de giz levando-os a encontrar um corpo despedaçado, faltando a cabeça. A vítima é uma adolescente e a suspeita cai sobre seu grande admirador, o excêntrico professor sr. Halloran, provavelmente pelo preconceito com sua aparência física e comportamento curioso.

“As inquietações das crianças são maiores porque somos menores.”
Trinta anos depois, Eddie, Gav, Mickey, Hoppo e Nicky não são tão unidos, até porque alguns nem moram mais na cidade, mas o passado permanece presente, ainda arrastando destrutivas lembranças em suas vidas. Próximo da data daquele fatídico momento, todos eles recebem uma carta tendo a figura de um homem-palito e um giz, que desenterra desconfianças e desperta realidades camufladas, fazendo-os repensar com mais transparência sobre a aparição da morte que transformou ou paralisou seus sonhos e inocências.

De cara esbocei satisfação pelo grupinho de adolescente, ciente das aventuras, diálogos fáceis, sem ser tosco e bem humorado que encontraria. A admiração da autora por Stephen King é notória e o leitor perceberá a referência dos adolescentes/adultos de It, A Coisa, nas primeiras páginas, porém, em minha opinião, as semelhanças encerram por aí, prosseguindo somente a inspiração mórbida de Tudor, que surgiu por meio de um balde de giz que seu filho ganhou, iniciando o mistério entrelaçando personagens extremamente característicos, em lugares bem ambientados de pânico e pesadelos surreais.

Outra diferença é a sua escrita, pois a narrativa é clean, sem excessos de detalhes e metáforas, concentrando-se nos fatos com ritmo fluído, por isso o devorei rapidamente! Porém, não chega a ser uma grande história, mas, o que me encantou fazendo a leitura valer a pena, está totalmente ligado à sua naturalidade de escrever desembaraçadamente, tanto nos diálogos como explicitamente nos excelentes monólogos do narrador e protagonista Eddie. Foi prazeroso demais conhecer e habitar em sua mente tão inquieta, desconfiada, super imaginária e irônica. Além dele, há outros autênticos personagens, destaco o denso sr. Halloran, que é arrepiante em características tão sombrias, além das falas instigantes e também a “louca”, mau humorada e roqueira Chloe, inquilina que deu certo equilíbrio à vida de Eddie, se tornando também mais um dos muitos perfis que me fizeram elaborar suposições desenfreadas. Aliás, o que não falta no universo de Tudor são casas, personagens e explanações dignas de muitas teorias por conta das entrelinhas.

Quase avaliei com 5 estrelas e favoritei, mas senti falta de um encerramento mais plausível ou melhor desenvolvimento na revelação do assassino, ainda assim esse detalhe não apagou o brilho da estreante obra, portanto acredito que Tudor tem muito ainda a oferecer como escritora de suspense.
“Deixamos a nossa marca na história – uma pequena marca em forma de homem de giz.”

Avaliação:


A Autora

C.J. Tudor nasceu em Salisbury e cresceu em Nottingham, Inglaterra, onde ainda mora com a família. Seu amor pela escrita, especialmente pelo estilo sombrio e macabro, surgiu logo cedo. Enquanto os colegas liam Judy Blume, ela devorava as obras de Stephen King e James Herbert. Ao longo dos anos, atuou em várias funções, como repórter, redatora, roteirista para rádio, apresentadora de televisão, dubladora, passeadora de cães e agora escritora. O Homem de Giz é seu romance de estreia.




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